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08 ago Riquezas ocultas: Como transformar a relação com estagiário em algo próspero para a academia

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Vamos lá. Sejamos objetivos: existem duas formas do gestor da academia olhar para os estagiários: A primeira é Como a possibilidade de ter mão de obra barata e simples’; e a segunda como uma Oportunidade de gerar um time de pessoas bem treinadas e comprometidas.

Mas, afinal, qual a fórmula mágica para que não fiquemos apenas no primeiro olhar, que certamente parece mais raso?
Além de todas as premissas que boas empresas de recrutamento e seleção de nosso mercado possuem, a formalização correta da relação é essencial.

E, por que?
Resposta simples: porque qualquer relação bem feita precisa ser iniciada da forma correta.

Vivemos na era da consciência. Na era do propósito nas relações, e a juventude que chega ao mundo adulto está cada vez mais intolerante a maus combinados. Tratou? Faça. Prometeu? Cumpra. Já se foi a época em que o patrão mandava e o “subordinado” apenas obedecia sem pensar se era algo despropositado.

Este por si já seria um ótimo argumento para se plantar uma relação mais formal.

Mas, vamos aos requisitos técnicos.

Número um: para que uma relação de estágio comece saudável, o gestor deve ter clareza da função do estagiário. Este tem, por sua natureza, o objetivo expresso de se configurar como um período probatório de pratica do aprendizado no ensino superior.

Isso mesmo… estágio serve para que o aluno aprenda, na pratica, a sua profissão.

A lei tem como embrião a capacitação dos estudantes que tem o direito de degustar sua pratica profissional afim de que, ao se formarem, possam fazer uma transição mais serena da condição de estudante para a de profissional em plena atividade.

Número dois: não existe estagiário que não está devidamente matriculado na faculdade da área específica que ele atua. Desculpas do tipo ” ele já se formou mas ainda não colou grau”, ou “teve que trancar a faculdade apenas por alguns meses” contaminam a boa relação de estágio.

Número três: o contrato de estágio só pode durar, no maximo, até dois anos.
Por isso a academia deve se organizar de forma que entenda que, uma vez na empresa, em dois anos o aluno deverá viver outra experiência profissional.

Número quatro: estagiário não é empregado.
Não está submetido às regras da CLT e deve seguir sua lei específica.
Isso significa simplesmente que estagiário não tem salário, férias, 13o salário, vale transporte nem vale refeição.
Mas tem bolsa auxílio, período de descanso, ajuda de custo de transporte.

O contrato, denominado termo de compromisso de estágio, é sempre tríplice: assina o estudante, a empresa e a instituição de ensino, que cuidará de seu estagiário com o mesmo zelo de quem cuida de seu cliente.

A jornada do estagiário não deve ultrapassar 30 horas semanais, ou 6 horas diárias. Não pode trabalhar em jornada extraordinária (não faz hora extra), e pode ter registro do seu tempo de estágio.

O descanso do estagiário deve ser compatível com calendário escolar, e em época de prova ele tem o direito te ter tempo para os estudos.

Pode até ser remunerado, mas na condição de bolsa auxílio. Não deve entrar na folha de pagamento dos empregados, e tem recibo diferenciado como comprovação do pagamento de sua bolsa.

Estagiário, para os estudantes de educação física, não pode prescrever treinos, bem tão pouco ministrar aulas como titular sem supervisão direta.

E por falar em supervisão, deve ter um tutor ou coordenador diretamente a ele ligado.
Os relatórios a serem entregues na faculdade são, minimamente, semestrais, e devem constar nele as atividades desenvolvidas e os aprendizados auferidos.

Isso significa que a cada semestre ele deve enviar pra faculdade, com assinatura do seu tutor, o relatório e avaliação das atividades desenvolvidas.

Vale mencionar que nas academias não apenas os estudantes de educação física podem ser contratados neste modelo.

Para as empresas que exigem maior estrutura, é possível que hajam estagiários dos cursos de administração, marketing, e etc, desde que o principal requisito de colocar em pratica seus ensinamentos, assim como as demais condições já mencionadas, sejam atendidas.

Existem Ainda os direitos assegurados ao estagiário, como por exemplo o seguro contra acidentes pessoais, pagamento do deslocamento para o local do estágio, faculdade e casa, descanso anual proporcional ao tempo de estágio e contrato escrito com a empresa e a faculdade.

Formar pessoas é um dom. Ensinar, ouvir e aprender com os jovens é enriquecedor.

E dar a oportunidade de ter pessoas ligadas à cultura, à filosofia da empresa, não tem preço, além de ser barato neste modelo.

Formemos um mercado mais saudável, mais Justo é mais legal.
Simples assim.

Joana Doin
jdoin@joanadoin.adv.br

Joana Doin é advogada e sócia do escritório Joana Doin Consultoria Jurídica.